Minha Trajetória (e Um Pouco da Belo Horizonte) Com a Pole Dance

2 set

Artigo que escrevi para a primeira edição da  revista “A Distopia” que entrará em circulação muito em breve.

Antes do artigo aproveito para anunciar o vencedor da enquete: Pedro Paulo. Parabéns Pedrinho!

O artigo:

Minha Trajetória (e Um Pouco da Belo Horizonte)  Com a Pole Dance

Por Naiara Beleza

Ao ser convidada para escrever este artigo falando sobre a Pole Dance e o movimento que temos feito em Belo Horizonte, pensei duas vezes, pois não sou escritora nem jornalista. Mas achei que seria uma oportunidade única de poder relatar em primeira pessoa o que temos feito para inserir esta arte/dança/esporte na cidade, e fazer com que seja vista, compreendida e aceita como tal; sem preconceitos.

Não é tão simples pegar uma arte que historicamente tem um tabu erotizado pairando sobre ela e apresentar como uma novidade, desmistificando, tirando esse estereótipo. Estou nesta luta há cinco anos, e confesso que no princípio era muito mais pessoal do que uma batalha pela aceitação da Pole Dance em si, mas ao longo do caminho fui amadurecendo – não só como profissional mas também como pessoa – e entendi que Belo Horizonte precisava – e, de certa forma, ainda precisa – crescer no movimento tanto quanto outros lugares do país e do mundo. Percebi que minha missão deveria ir muito além de uma autossatisfação. Por isto minha trajetória com a Pole Dance se une à trajetória na cidade. Acho importante também mencionar aqui Rinara França, outra referência para BH: instrutora e fundadora da primeira academia na modalidade, a Vertical Studio, onde aprendi muito.

A melhor forma de mostrar uma arte é inseri-la dentro do circuito cultural da cidade. Assim, comecei a procurar lugares que se interessariam em apresentar uma novidade, e nada melhor que um local que havia acabado de inaugurar e tinha o intuito de ser inovador, adotando um conceito que pretendia se diferenciar daquela ideia comum das casas de show da cidade: a casa Nelson Bordello. Enviei um e-mail no qual eu me apresentei e falei o que era a Pole Dance e  por que seria interessante para eles apresentar, e em anexo mandei um vídeo filmado com a minha webcam, nos 20 metros quadrados do meu quarto, onde estava instalada minha primeira barra de Pole Dance, que com muito custo comprei, pela internet, da Inglaterra, pois no Brasil ainda não se vendia. O poste era desmontável – como expliquei no e-mail – e poderia ser instalado em (quase) todo lugar. O espaço era dividido entre cama, armário e mesa, então me sobravam pouco menos de dois metros de raio para giros e manobras. Neste espaço filmei meu primeiro piloto. Apesar de eu não ter me apresentado de uma maneira realmente profissional, foi o necessário para perceberem que poderia funcionar no espaço deles, e marcaram para a semana seguinte minha primeira apresentação em público. Eu tinha apenas uma semana para ensaiar e claramente não poderia ser no meu quarto. Consegui então a sala de uma amiga emprestada, onde quase morei durante esta semana, ensaiando incessantemente! Lógico, estava muito nervosa. Mas tudo correu melhor que o esperado. Um DJ e produtor influente na cidade estava lá e por sorte viu no meu trabalho algo muito promissor, inovador e diferente. Saí com um contrato de uma festa, que aconteceria uma vez por mês, e com as datas já agendadas para todo o ano. Durante esta festa já fui sendo vista por outros produtores e ganhando espaço para outros eventos.

Minha intenção era tirar toda a vulgaridade e mostrar a arte dos movimentos. Pelos comentários estava no caminho certo, todos que assistiam e me davam feedback diziam que consegui mudar a ideia que tinham desta dança. Uns diziam que iam lá por curiosidade e até com certo preconceito, mas que depois saíam com uma surpresa boa, tinham outra ideia da Pole Dance: viam técnica, arte e se surpreendiam ao ver que Pole Dance não é rebolar em volta de uma barra; ela possui um conjunto de movimentos que exigem treino e dedicação. Depois de algum tempo tinham sempre as pessoas frequentes, que já conheciam e admiravam, mas os que nunca tinham visto me agradavam ainda mais, pois eu voltava para casa com a sensação de ter mudado a cabeça de mais um. É muito gratificante.

Logo, além da dança, as pessoas começaram a se interessar também pela prática: me perguntavam onde aprendi, se eu ensinava, e a pergunta que mais me pegava era “será que consigo também?”. Eu não tinha certeza na época, porque eu tinha experiência com dança e também era ginasta, mas nunca desanimei ninguém. Minha intenção era justamente o contrário: quanto mais pessoas se juntassem a mim, melhor seria.

Resolvi me arriscar e começar a ensinar. Tive uma oportunidade de abrir turmas na academia Feminina, e o que eu vi a partir de então me surpreendeu: tive alunas de todas as idades, formas e pesos, e até uma de 61 anos! Todas conseguiam executar os movimentos em pouco tempo de prática, e iam melhorando ainda mais. Faziam giros, subiam, ganhavam força, sentiam resultado. Tive três anos de pratica em ensinar e depois abri minha própria academia, que agora completa um ano de existência.

Fui vendo que a Pole Dance de alguma forma mudava a vida das praticantes que estavam comigo. A autoconfiança, o corpo, os relacionamentos e o sentimento de superação em executar movimentos que exigem tanta técnica. Mais um ponto a favor da dança. Estas histórias mereciam ser compartilhadas, eram mais um passo para a aceitação. Criei então um blog para que todos pudessem ler as experiências destes praticantes (no masculino mesmo, porque também ganhamos alguns homens na prática). Este blog nasceu do exercício de escrever e relatar como a Pole Dance mudou a vida de cada um, e comecei com um sincero depoimento meu.

Hoje recebo diversos comentários positivos no blog, bem parecidos com aqueles que recebo nos shows.

“‘O Pole, agora eu sei: é completo. Ele é dança, ginástica localizada e terapia. É Yoga, circo e filosofia. É um tanto de coisa e não é nada disso. Isso porque é único. É Pole Dance.’ Confesso q tinha um certo preconceito, mas achei tão interessante que quero tentar um dia!!!”  (Silvia, como se identifica a pessoa em um dos comentários do blog, cita uma frase do depoimento da aluna Lu Senra.)

Hoje, muita coisa mudou. Já temos atenção de mídias respeitadas que tratam a Pole como arte, dança e esporte. Participamos de campeonatos nacionais de Pole Fitness e estamos nos preparando para os mundiais. Temos muitas profissionais apaixonadas e dedicadas e um público que já nos respeita. Ainda batalhamos por muitas coisas, mas aos poucos estamos vencendo principalmente o pré-conceito.

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2 Respostas to “Minha Trajetória (e Um Pouco da Belo Horizonte) Com a Pole Dance”

  1. magda lopes setembro 30, 2013 às 4:59 pm #

    Que bom ,que pude colaborar com o início desta carreira maravilhosa !! Hoje qdo quiser decoraremos o segundo estudio !!! Parabéns Naiara !!!

  2. Maria Beatriz Gambogi agosto 13, 2014 às 11:46 pm #

    Vá em frente com o seu sonho, penso que valerá a pena…

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